O desabrochar de Gretel

"Querida Eduarda.
Sinto-me honrada com seu pedido de registrar algo sobre o tempo em que convivemos e tenha certeza que já sinto saudades.
Recordo-me de nossas primeiras aulas; você demonstrava certa inquietação, olhava seguidamente ao relógio. Cheguei mesmo a pensar que você não gostava das aulas de história!
Assim você permaneceu por um tempo até o dia que rompemos a "barreira" e você partilhou comigo sobre sua tia que frequentava a Toca de Assis e me mostrou um caderno feito em uma das nossas casas de nossos irmãos franciscanos e assim São Francisco aproximou nós duas: professora + aluna.
Com o tempo você permitiu que eu entrasse em seu universo interior através das anotações "daquele" caderno. Foi ai que passei a conhecer Gretel e seu mundo de reflexões e indagações... Tais indagações que não tem outro objetivo se não a busca incessante de toda criatura que almeja seu criador. E assim a fé nos uniu e aproximou...
O tempo passou e a menina amadurecia vencendo seus medos e insegurança. Com bravura e fortaleza viveu a perda da avó, revelando assim sua força e a grandiosidade do seu amor por sua mãe. Esqueceu sua dor para viver ao lado da sua mãe uma dor que era dela e passou a ser sua também....
Particularmente me emocionei em nosso último seminário (tema- "Os negros após a abolição da escravidão"), você demonstrou uma segurança em sua voz que nunca havia visto. A firmeza em seu tom de voz e seu posicionamento crítico e consciente me tocaram, pois sei que de alguma forma, ainda que mínima fiz parte do desabrochar da menina Duda- Gretel.
Já há algum tempo tenho refletido e acredito que este seja um momento oportuno. Presenteio você com uma grande riqueza da literatura da Igreja "Imitação de Cristo". Este livro extraído de pensamentos de grandes santos me lembra muito sua forma de se expressar: a busca por respostas.
Querida Duda, todos os santos buscaram sua santidade movidos por uma paz inquieta que nos move e nos impulsiona a uma busca incessante por Deus. Aquele quem tudo pertence, inclusive nossa própria vontade, nosso próprio querer.
Não me despeço pois acredito naquela música:
"Amigos para sempre,
Bons amigos que nasceram pela fé.
Amigos para sempre
Para sempre amigos se Deus quiser".
(Anjos de resgate)""

Carta escrita pela Historiadora e Professora Olinda Cristina em 28/11/2014.
Escola Pequeno Cotolengo de Dom Orione

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